O
que fazer quando sentimos uma necessidade quase orgânica de conversar a
respeito de um assunto que apenas nós temos conhecimento e que, ao mesmo tempo,
precisa continuar em sigilo?
Mesmo
que de maneira inconsciente, buscamos formas subjetivas de comunicação.
Foi
com esse pensamento que decidi criar um mecanismo textual para expressar e
registrar o andamento do meu processo de escrita. É, em verdade, um inicio
arbitrário, já que escrever um livro vai muito além da digitalização bruta. Por
conta dessa arbitrariedade, demorei alguns dias para decidir como escrever
sobre escrever. Como entender o que
eu queria tanto dizer.
E
foi mais ou menos assim que eu descobri como o ser humano tenta alcançar
algumas emoções por antecipação. Afinal, é tão sem graça ter esses sentimentos sem
a chance compartilha-los com outras pessoas!
Mas
vamos ao que realmente interessa, caso não tenha ficado claro o suficiente.
Bem,
estou escrevendo um livro!
Ou
melhor, já estou escrevendo um livro há alguns anos.
A
história para esse livro começou a ser criada há cerca de três anos. Desde
então muita coisa já foi produzida. Existiram cadernos com anotações que não
estão mais entre nós, assim como surgiram novos cadernos com novas
considerações que me acompanham até hoje.
O
objetivo dessa postagem não é elencar todas as experiências que me conduziram
por esse estreito caminho da escrita, tampouco introduzir a obra na qual
trabalho atualmente. Quero esclarecer que antes dessa iniciação concreta, existiram
inícios anteriores tão importantes quanto.
Junto
com a elaboração da história do livro, também aprendi a me reinterpretar em uma
busca quase filosófica de entender a mim
mesma. Vejam bem, é surpreendente quantos processos podem permear a nossa
vida dentro de um único espaço-tempo. Enquanto eu rascunhava e inventava
desfechos e personalidades, quase não pude perceber que reescrevia meus
próprios sonhos e objetivos de vida. Que escrevia uma eu muito mais otimista e determinada. Sólida.
Pensar
na pessoa que sou hoje sem considerar minha dimensão leitora e escritora é
quase tão improvável como a respiração no vácuo. O melhor de tudo é descobrir que
podemos ser várias coisas muito mais rápido do que não sermos nada. Estamos em
um constante movimento que não deve ser circular.
Mas
então, qual é o problema? Afinal, há
sempre um problema.
É
aqui que retornamos para a importância do Diário de Escrita nesse momento da
minha vida. Eu preciso de disciplina, no sentido de realmente estabelecer
horários para me dedicar exclusivamente à produção desse livro. Junto a isso,
preciso conversar sobre as coisas que ando escrevendo, caso contrário corro o
risco de estagnar por conta dessa necessidade insana de falar sobre querer falar. De forma sutil, estou
dizendo que escrever sobre estar escrevendo vai me ajudar a não dar falar tanto sobre coisas que sequer
escrevi. Isso faz algum sentido? Espero que sim.
Em
novembro acontece o evento National Novel
Wrinting Month, mais conhecido como NaNoWriMo. A ideia, basicamente, é
participar de um autodesafio, em que o autor ou autora se propõe a escrever um
livro de, no mínimo, 50 mil palavras!
Decidi
participar como recurso motivacional. Infelizmente nem todo escritor ou
escritora dispõe de uma rotina que favoreça a imersão nos momentos de escrita. Espero
que essa experiência teste os meus limites e me impulsione a tentar mais, me
esforçar mais e, sobretudo, acreditar mais.
Ao
longo do mês, voltarei para contar sobre o andamento da minha escrita. Então,
não fiquem preocupados: para o próximo Diário de Escrita já terei mais
novidades para compartilhar com vocês. Nesse primeiro momento achei importante
anunciar que no meio de tantos começos e recomeços, esse é o nosso começo. Com certeza, o mais
importante até agora.
Logo
mais atualizo vocês sobre essa etapa. Por enquanto, deixo meus agradecimentos a
quem decidir embarcar comigo nessa jornada!
Obrigada
sempre e muitos beijos!
E você
aí, vai participar também?
